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Maria Domingas Carvalhosa: Empresas sem instalações? Hum…

IN Executiva
25 Outubro, 2021

Embora já não possa ouvir falar em pandemia, não posso deixar de reconhecer que a dita-cuja mudou o paradigma das nossas vidas, nomeadamente, a vida profissional.

Aquela história de o escritório ser “a nossa segunda casa” acabou, já que a primeira casa, a de habitação da família, passou a ser o centro do universo. O espaço onde as crianças estudam, brincam e gritam, os pais, trabalham, cozinham e ‘meditam’ e os animais de estimação, agora mais recentemente conhecidos por ‘patudos’ assistem, embasbacados, ao novo normal.

Foi um período de grande aprendizagem em que todos nós respondemos de forma muito positiva. Os setores económicos que não dependiam da presença física de clientes para a sua sobrevivência reinventaram-se e as nossas famílias, bem como a maioria das nossas empresas, de uma forma ou de outra responderam positivamente aos grandes desafios que a COVID 19 nos lançou.

Com o longo período de confinamento a maioria das empresas ganharam algumas práticas que lhes serão úteis no futuro. Por exemplo, com o acesso à videochamada, a maior parte das reuniões, que antigamente se realizavam presencialmente, não fazem sentido já que a importância do tema assim não o exigia. E isso era mau para o ambiente, dado que as deslocações eram realizadas por um ou vários automóveis, péssimo para o desgaste físico dos colaboradores e também para os gastos em que as empresas incorriam. Por outro lado, ficou provado que não é necessário o colaborador estar presente sete ou oito horas, por dia, cinco dias por semana, no escritório, para que o trabalho seja feito e, bem feito. Algo de que eu tinha a certeza que acontecia já que, na minha empresa, há já uns anos, que a semana acabava há sexta-feira, à hora do almoço. E não era por isso que não tínhamos uma excecional resposta aos nossos clientes.

Mas como em Portugal somos um bocadinho exagerados passámos de um tecido empresarial com pouca flexibilidade em termos de horários de trabalho para o outro extremo em que assistimos a empresas a anunciar que ‘não vão possuir espaço físico’. Não me faz qualquer sentido.

Não entendo como se conseguem gerir equipas totalmente à distância. Onde fica a formação dos mais novos? E o espírito de equipa? E a formação pelo exemplo? Acredito que nalguns casos, poucos, tal seja possível, mas na sua grande maioria não vejo como.

Uma das grandes aprendizagens desta pandemia é sem dúvida, como referi, a constatação de que a rentabilidade dos colaboradores não é proporcional ao número de horas que passam no local de trabalho. E esse é um grande passo para algo que há muito tempo se trabalhava – a conciliação trabalho e família – mas há que olhar o tema de uma forma equilibrada.

Como é que eu vou fazer na minha empresa? Vou ter os colaboradores perto o tempo suficiente para integrarem a equipa (três dias) e à distância o quanto baste!

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